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Vacina parece ‘limpar’ as células leucémicas que o Gleevec deixa para trás PDF Imprimir EMail

ScienceDaily (Jan. 10, 2010) — Segundo os investigadores do Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, estudos preliminares demonstraram que uma vacina feita com células leucémicas pode reduzir ou mesmo eliminar as células cancerígenas residuais, em alguns doentes portadores de Leucemia Mielóide Crónica  (LMC), que estejam a tomar Mesilato de Imatinibe (Medicamento Gleevec).

Gleevec, um dos primeiros tratamentos alvo com grande sucesso em doentes com LMC, destrói a maior parte das células leucémicas; porém, na maioria dos casos, algumas células cancerígenas permanecem no corpo e só são mensuráveis com testes moleculares altamente sensitivos. Estas células remanescentes são uma fonte de recaida, de acordo com os investigadores, sobretudo se o tratamento com Gleevec é parada.

Num estudo piloto publicado no Clinical Cancer Research, os investigadores de Johns Hopkins usaram uma vacina feita a partir de células de LMC, irradiadas com seu potencial cancerígeno e geneticamente alterado, de modo a produzir um estimulador do sistema imunitário chamado GM-CSF.

As células tratadas também são portadoras de moléculas chamadas antigénios, específicos para as células LMC, que estimulam o sistema imunitário a reconhecer e matar as células LMC circulantes. A equipa adverte que os seus resultados são muito preliminares pelo que não podem ainda excluir outras razões para o sucesso alcançado.

A vacina em estudo foi administrada  a 19 doentes com LMC e com células cancerígenas residuais, apesar de estarem a tomar Gleevec há pelo menos um ano. Foi administrada uma série de injecções subcutâneas a cada três semanas num total de quatro aplicações. Após uma média de 72 meses de acompanhamento, o número de células cancerígenas diminui  em 13 doentes, doze dos quais alcançaram os seus níveis mais reduzidos de sempre, de células cancerígenas residuais. Em sete desses doentes, a LMC tornou-se completamente indetectável.

Dado que o estudo foi efectuado com um número limitado de doentes e não foi alvo de comparação com outros tratamentos, os investigadores avisaram não poder garantir que estas respostas tenham surgido como resultado da aplicação da vacina.

‘Queremos eliminar qualquer célula cancerígena do corpo e usar vacinas de cancro pode ser uma forma de eliminar quaisquer doenças residuais,’ diz Hyam Levitsky, M.D., Professor de Oncologia, Medicina e Urologia no Johns Hopkins Kimmel Cancer Center. ‘É necessário investigar muito mais para poder confirmar e expandir os resultados obtidos’, disse Levitsky.

Os investigadores irão testar amostras de sangue colhidas de doentes que participaram no estudo para identificar com precisão os antigénios que o sistema imunitário está a reconhecer. Com esta informação eles irão criar uma vacina ‘à medida’ para estudos adicionais, que possam monitorizar a resposta imunitária com maior precisão.

Os doentes que receberam a vacina em estudo, experimentaram poucos efeitos secundários, os quais que incluíam dor localizada e inchaço no local  de aplicação da injecção, dores musculares ocasionais e febre lligeira.

De acordo com os investigadores, a maior parte dos doentes com LMC necessitará manter o tratamento com Gleevec para o resto da vida. Mais de 90 por cento deles atingirá a remissão mas cerca de 10 a 15 por cento dos doentes não poderá tolerar a aplicação do medicamento a longo prazo. ‘Frequentemente, os doentes têm contagens de células sanguíneas baixas, retenção de fluidos, náuseas consideráveis e outros problemas gastrointestinais’, diz B. Douglas Smith, M.D., professor associadp de Oncologia no Johns Hopkins Kimmel Cancer Center. Outros tratamentos secundários, incluindo Dasatinibe e Nilotinibe, provocam também muitos efeitos secundários.

Outro efeito secundário muito comum do Gleevec, diz Smith, é a fadiga. ‘É frequente ouvir os doentes dizerem que 80 a 90 por cento do que deviam sentir e, com o tempo, isto poderá ter um grande impacto na sua qualidade de vida,

O Gleevec também não pode ser tomado durante a gravidez e dado que um terço dos doentes com LMC está na casa dos 20 a 30 anos, muitos doentes que querem constituir família gostariam de interromper a toma do medicamento.

Em última análise, se esta iniciativa da vacina tiver sucesso, a possibilidade de retirar aos doentes o tratamento prolongado com Gleevec será um avanço significativo, diz Levitsky.

A investigação foi patrocinada pelo National Institute of Health.

Na equipa que contribuiu para o estudo, incluem-se Yvette Kasamon, Jeanne Kowalski, Christopher Gocke, Kathleen Murphy, Hua-Ling Tsai, Lu Qin, Christina Chia, Barbara Biedrzycki e Richard Jones from Johns Hopkins; Carole Miller do  St. Agnes Hospital; Elizabeth Garrett-Mayer da Medical University of South Carolina e Thomas Harding e Guang Haun Tu da Cell Genesys, Inc.

Ao abrigo de um acordo para fins de licenciamento, firmado entre a BioSante Pharmaceuticals Inc. e a Johns Hopkins University, o Dr. Levitsky tem direito a uma parte dos proventos e dos royalties recebidos pela Universidade, com a venda da GVAX.  O Dr. Levitsky trabalhou incicialmente como consultor pago pela Cell Genesys, a qual foi posteriormente adquirida pela BioSante Pharmaceuticals Inc. Os termos deste acordo estão a ser geridos pela Johns Hopkins University na observância das suas políticas de conflitos de interesses.

Tradução: Paula Braga da Silva
Revisão: Isabel Leal Barbosa

 
Descobertas diferenças genéticas entre tipos de Leucemia Mortais e Tratáveis PDF Imprimir EMail

(Science Daily – Jan.7,2010) - O perfil genético de um tumor é por vezes útil no diagnóstico e na  decisão  do tratamento adequado para certos tipos de cancro mas, ainda que inexplicavelmente, tipos de leucemia geneticamente semelhantes em vários doentes nem sempre respondem da mesma forma ao mesmo tratamento.

Investigadores do Weill Cornell Medical College acreditam que podem ter descoberto o factor que distingue estes doentes, através da avaliação das diferenças epigenéticas entre doentes com leucemia mielóide aguda (LMA).

Nos últimos anos, descobriu-se que há outros códigos químicos adicionais á sequência conhecida de DNA, que controlam o comportamento das células malignas e normais. Estes códigos adicionais chamam-se ‘epigenéticos’ uma vez que estão fora da sequência de DNA.

Os investigadores concluíram que muitas das diferenças inter-doentes identificadas no comportamento das células leucémicas, está dependente das alterações genéticas específicas de cada doente. Espera-se que estes resultados conduzam a tratamentos de cancro feitos ‘à medida’ dos doentes que se enquadrem nos diferentes tipos de cancro epigenéticamente definidos.

Os resultados promissores deste estudo encontram-se publicados na edição de 7 de Janeiro do jornal Cancer Cell.

Para formar as suas conclusões, o Dr. Ari Melnick, autor responsável do estudo e professor associado de medicina do Raymond and Beverly Sackler Center for Biomedical and Physical Sciences no Weill Cornell Medical College, estudou, juntamente com os seus colegas, um marcador epigenético específico chamado metilação do DNA, que desempenha um papel fundamental no controle da expressão genética.

Este grupo examinou a configuração da metilação do DNA de 14.000 genes em 344 doentes diagnosticados com LMA. Ao agrupar estes doentes de acordo com o seu perfil de Metilação de DNA, o Dr.Melnick e a sua equipa conseguiram formar 16 grupos distintos. Em cinco desses grupos conseguiram definir completamente novos subtipos de LMA, que não partilhavam nenhuma outra característica para além das recém descobertas semelhanças de metilação.

‘As diferenças epigenéticas entre os subtipos de LMA podem assumir um papel crítico na determinação da resposta da doença ao tratamento’, disse o Dr. Melnick.

Tradicionalmente, os doentes com LMA são tratados com medicamentos de primeira linha para quimioterapia. Se os tratamentos falharem, os doentes são classificados como padecendo de uma doença mais grave e difícil de tratar e recebem então um tratamento mais agressivo, como um transplante de medula. O facto de se poder  identificar os doentes com maiores probabilidades de não responderem aos tratamentos, conduzirá à administração de tratamentos com maior precisão e eficácia prescritos na fase de planeamento do tratamento.

Também concluíram que um conjunto de 15 genes biomarcadores de Metilação do DNA foi altamente preditivo no que concerne à sobrevivência geral dos doentes. ‘As descobertas têm o potencial de mostrar aos médicos se o doente tem ou não uma doença fácil ou difícil de tratar e elaborar o tratamento do doente de acordo com a sua necessidade – explica o Dr. Melnick.’ Isto poupa-nos tempo e evita que se experimentem tratamentos que eventualmente não surtirão qualquer efeito.

Além disso, os investigadores descobriram que um conjunto de 45 genes que são quase universalmente metilados, no caso dos doentes com LMA, a metilação desses genes era de longe mais comum do que qualquer mutação genética associada a LMA e poderia fornecer novas formas terapeuticamente mais eficazes de identificar a LMA, no futuro.

‘Os investigadores de Sackler Center em Weill Cornell são líderes no campo da descodificação de informação epigenética de tumores humanos e na avaliação do seu impacto clínico.’ Diz o Dr. Andrew I. Achaffer, Presidente do Departamento de Medicina no NewYork ­Presbyterian Hospital/Weill Cornell Medical College. ‘ Tais descobertas levarão ao desenvolvimento de novos tratamentos que possam oferecer esperança a doentes com cancro, que estão actualmente sem qualquer tratamento eficaz.

Os colaboradores que participaram neste estudo incluem Maria E. Figueroa, Yushan Li, Xutao Deng, Paul J. Christos, Lucy Skrabanek, Fabien Campagne and Madhu Mazumda, todos de Weill Cornell; Elizabeth Schifano e James Booth, da Cornell Univeristy, Ithaca, New York; Sanne Lugthart, Claudia Erpelinck­Verschueren, Peter J.M. Valk, Wim van Putten, Bob Löwenberg e Ruud Delwel do Erasmus University Medical Center, Rotterdam, Holanda e John M. Greally do Albert Einstein College of Medicine, New York.

Tradução: Paula Braga da Silva
Revisão: Isabel Leal Barbosa

 
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