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Science Daily (11 Maio 2010) – De acordo com um estudo recente levado a cabo por investigadores do St. Jude Children’s Research Hospital e reportado no jornal médico The Lancet Oncology, a personalização dos tratamentos aliada à melhoria dos cuidados de suporte médico, ajudou a impulsionar a taxa de sobrevivência de crianças com Leucemia Mielóide Aguda (LMA) até 71%, três anos após ter sido diagnosticada. “A taxa de sobrevivência de 71% é 20% melhor do que as taxas previamente atingidas nos EUA e é semelhante ao sucesso conseguido num estudo Japonês em 2009”, disse Jeffrey Rubnitz, M.D. Ph.D., membro do Departamento de Oncologia de St. Jude. Os resultados do estudo, no qual estiveram envolvidos 230 jovens doentes com LMA tratados em St.Jude e seis outros hospitais nos E.U.A., estão entre os melhores conseguidos a nível nacional e internacional. Rubnitz disse que para salvar ainda mais vidas provavelmente será necessário usar novos medicamentos e tratamentos. Ele é o autor principal deste estudo, que aparece na notícia de primeira página na edição on-line do jornal The Lancet Oncology com publicação prevista para a edição de Junho. Todos os anos, nos E.U.A., é diagnosticado LMA - um cancro de determinadas células brancas do sangue - a cerca de 500 crianças e adolescentes. Enquanto as taxas de cura para a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) – a forma de cancro infantil mais comum - subiram para mais de 90%, a sobrevivência a longo prazo dos doentes com LMA não tem acompanhado essa subida. “Neste caso, concentramo-nos em obter o máximo benefício dos tratamentos existentes e aplicar as lições que aprendemos em estudos anteriores, para identificar e tratar doentes que enfrentavam maior risco de recaida”, diz Rubnitz. Mais de três anos depois de diagnosticados, cerca de 89% dos doentes do estudo, classificados com baixo risco de recaída ainda estão vivos, comparados com cerca de 65% dos doentes com risco médio e 47% de doentes com risco elevado. Os doentes com LMA têm mais probabilidades de recaída um ano após o diagnóstico e Rubnitz disse que o cancro raramente aparece após dois anos. Este estudo contou como uso de alguns indicadores pela primeira vez, incluindo o primeiro uso da DRM (Doença Residual Mínima) para guiar o timing e a composição de quimioterapia tardia. A DRM mede as células cancerígenas que sobrevivem ao tratamento. Rubnitz diz que os doentes destinados a tratamentos mais intensos têm níveis de DRM superiores a 1 célula cancerígena em 1.000 células normais de medula óssea, após a primeira ou segunda temporada de quimioterapia. No estudo, a avaliação da DRM foi também usada em doentes com LMA de 60 anos e ainda mais idosos, estando agora a ser estudado em doentes jovens. A monitorização de DRM é vulgarmente usada para ajudar a guiar o tratamento de LLA, mas Rubnitz diz que alguns aspectos técnicos atrasaram a sua aplicação nos tratamentos habituais de doentes com LMA. O estudo também marcou a primeira vez em que todos os doentes receberam antibióticos após cada sessão de quimioterapia, na esperança de impedir infecções causadas por bactérias e fungos. A estratégia diminuiu drasticamente os níveis na medição das infecções, hospitalizações e mortes. Inicialmente, todos os doentes eram tratados com o medicamento anti-fúngico voriconazol porém, mais tarde, foram acrescentados os antibióticos vancomicina e ciproflaxina. O estudo incluía doentes com idades variáveis, de 2 dias a 21 anos. O trabalho ajudou a responder a várias outras questões, inclusive se os doentes beneficiaram com o uso de uma dose elevada do medicamento anti-cancerígeno citarabina logo no início do tratamento. Os investigadores não encontraram nenhum benefício adicional nisso. Em adição ao DRM, o estudo usou factores genéticos, incluindo a redistribuição de cromossomas, mutações genéticas e tratamento à medida, para reflectir se os doentes apresentavam risco elevado, médio ou baixo de LMA. Os doentes receberam inicialmente um tratamento que combinava três medicamentos, incluindo doses altas ou baixas de citarabina. Após a primeira e segunda temporada de quimioterapia, os investigadores usaram factores genéticos e medidas DRM para determinar o tratamento adicional que o doente devia receber, inclusive se os doentes estavam aptos a receber um transplante para substituir as células estaminais que produziam sangue doente por células de um doador saudável. Os autores do estudo foram Hiroto Inaba, Raul Ribeiro, Stanley Pounds, Xueyuan Cao, Susana Raimondi e Mihaela Onciu. Tradução: Paula Braga da Silva Revisão: Isabel Leal Barbosa
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