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Um transplante é a transferência de células, de tecidos, de orgãos vivos ou enxertos de partes do corpo, de uma pessoa (dador) para outra (receptor), com finalidade de restabelecer uma função do organismo totalmente ou parcialmente perdida. O transplante pode trazer enormes benefícios a pessoas afectadas por determinadas doenças, oferecendo por vezes a única possibilidade de sobrevivência. As transfusões de sangue são o tipo mais vulgar de transplante conhecido entre as pessoas.
Transplantar tecidos ou orgãos de uma pessoa para outra é um processo complexo. Não depende somente da técnica usada ou dos profíssionais de saúde envolvidos, mas principalmente da reacção do próprio organismo à aceitação do tecido ou orgão estranho. O nosso sistema imunitário está preparado para normalmente atacar e destruir “corpos” estranhos. Os antigénios estão presentes em cada célula do corpo humano e têm por função estimular uma reacção imune. Quando é transplantado um tecido ou orgão, os antigénios desse mesmo tecido alertam o organismo do receptor de que está a ser invadido por um tecido estranho. Por isso, o tecido doado deve ter obrigatoriamente a máxima afinidade com a do receptor, para reduzir a possibilidade de rejeição. Antes da intervenção cirúrgica, os médicos examinam cuidadosamente os tecidos através de exames específicos o tipo de tecido quer do dador quer do receptor, para que estes tenham a máxima compatibilidade possível . No caso do sangue, há três antigénicos específicos (A,B e RH), que determinam se a transfusão de sangue será aceite ou rejeitada...Um grupo de antigénios designados por antigénios leucocitários humanos (HLA), são da máxima importância quando se transplantam tecidos ou orgãos. Quanto maior for a compatibilidade dos antigénios (HLA), maior probabilidade há de que o tranplante tenha êxito. Pequenas diferenças entre antigénios podem levar a complicações desencadeadas pelo transplante, a chamada “ doença enxerto contra hospedeiro”... Mesmo que os antigénios (HLA) sejam compatíveis, os orgãos transplantados podem ser rejeitados. É necessário, por vezes, recorrer a um controle rígido do sistema imunitário do receptor através de medicamentos imunossupressores. Embora com certos riscos, estes fármacos podem travar, inibir ou suprimir o sistema imunitário de forma a aumentar o índice de sucesso dos transplantes. A rejeição quando se verifica costuma ser pouco depois do transplante, embora, possa manifestar-se semanas ou mesmo meses mais tarde. Esta rejeição pode não só destruir o tecido ou orgão transplantado, como também provocar sintomas colaterais graves, por vezes muito violentos, como febres, calafrios, náuseas, fadiga, alteração da tensão arterial, entre muitos outros... Entre familiares muito próximos (pais e maioria dos irmãos) vários antigénios são os mesmos, outros divergem. Estima-se que um em cada quatro pares de irmãos têm antigénios (HLA) compatíveis (usado para Transplante Alogénico ou Alotransplante). No caso de gémeos univitelinos(que nascem do mesmo óvulo), os antigénios (HLA) são exactamente idênticos evitando o problema da Doença Enxerto contra Hospedeiro. Este tipo de transplante entre irmãos gémeos identicos designa-se por transplante singénico.Nos restantes casos, poucos antigénios (HLA) são semelhantes. Transplante de medula óssea : O transplante de medula óssea é o método que oferece alguma possibilidade de cura em determinadas doenças malignas, para as quais não há outro tratamento mais eficaz e curativo. Porém, o transplante só é possível em determinados casos específicos e geralmente é melhor suportado em doentes mais jovens. Inicialmente o transplante de medula óssea era usado como parte do tratamento de certas doenças, por exemplo, substituir uma medula que deixou de produzir células do sangue em quantidade suficiente (anemia aplástica) ou, quando esta está congestionada por células cancerígenas que impedem o seu funcionamento normal (leucemias, linfomas, mielomas). À medida que as técnicas e os índices de sucesso melhoraram, este tipo de transplante é cada vez mais usado para tratamento de outras doenças (cancro da mama ou crianças afectadas por certas doenças genéticas, tumores do testículo com resultados bastante encorajadores, por exemplo). Todos os doentes que vão fazer transplante de medula óssea, recebem rigorosos tratamentos com doses elevadas de quimioterapia, por vezes acompanhada de radioterapia, para provocar a destruição completa das células malignas que impedem o funcionamento normal da medula que se pretende tratar. Com um enxerto de medula óssea (de um dador ou do próprio doente), é possível restabelecer a função da medula que ficou destruída por essas doses maciças de quimioterapia. As reacções ao tratamento variam conforme os regimes de tratamento utilizados e de acordo com o próprio doente. Em praticamente todos os casos, há efeitos colaterais, desde náuseas; vómitos; cólicas abdominais; risco de infecções graves; queda total de pelos e cabelo; entre outros... Existem vários tipos de transplante de medula óssea: - Alotransplante (ou transplante alogénico), em que a recolha de medula (colheita do enxerto) é de um dador saudável e com antigénicos (HLA) compatíveis; - Autotransplante (ou transplante autólogo), em que o doente é o seu próprio dados. A medula é colhida do próprio doente numa fase ainda precoce da doença ou quando esta está em remissão. Depois, é tratada e devidamente armazenada até á sua utilização. O transplante de medula óssea é um tratamento que se assemelha a uma transfusão em que o produto transferido é medula óssea e não sangue. Após o tratamento convencional com as doses elevadas de quimioterapia, com ou sem radioterapia entre outros tratamentos, é possível proceder ao respectivo transplante. A medula óssea recolhia de um dador compatível é injectada através de um catéter, colocado previamente numa veia de grande calibre, geralmente situada abaixo da clavícula, perto do ombro. Na medula óssea, as células transplantadas migram e vão procurar através da circulação, o lugar no interior dos espaços medulares, em que têm condições para se instalarem e se desenvolverem até criar raízes nos ossos do receptor. Quando for detectada a reprodução de uma nova população de células sanguíneas, com o aparecimento de glóbulos brancos no sangue, é o primeiro sinal de que o enxerto está a funcionar. Em seguida aparecem os glóbulos vermelhos e só mais tarde a plaquetas... A medula óssea transplantada tarda regra geral entre duas a três semanas até produzir glóbulos brancos suficientes para oferecer protecção contra as infecções, como consequência, o risco de se sofrer uma infecção grave é mais elevado durante este período. É conveniente isolar os doentes durante esta fase crítica porque o sistema imunitário está sem defesas. Nos primeiros dias a seguir ao transplante começa o período mais delicado, em que podem surgir complicações muito graves. Durante este período o doente é colocado em isolamento. Os médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e visitas (restritas), usam equipamento esterilizado quando entram no quarto, para reduzir a incidência de infecções. É raro o enxerto não conseguir reconstruir a medula óssea no doente, mas quando isso acontece, geralmente o doente pode ser transplantado novamente, quer por alotransplante, quer por autotransplante. Se tudo correr bem, a medula óssea do receptor é completamente substituída. A maioria dos doentes submetidos a transplante de medula óssea não sofre complicações graves, no entanto, infelizmente, uma pequena percentagem de doentes tem complicações irreversíveis que são fatais!
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