O cancro na minha vida Eu, Carlos Oliveira, tenho 56 anos, sou trabalhador do IPO Porto desde 2002 e desde o dia 12 de Dezembro de 2007 passei a ser também um doente com Mieloma Múltiplo a tratar-me no IPO do Porto. Até hoje, várias pessoas, familiares, amigos e conhecidos, tiveram doenças Oncológicas: uns curaram-se, outros controlaram a doença e outros, com fins mais ou menos dolorosos, morreram da doença ou de outra coisa qualquer. Há alguns anos que tenho consciência de que o rastreio e prevenção são a melhor forma de viver bem, sem preocupações em relação a doenças. Quando alguma doença é detectada na fase inicial a hipótese de cura, tratamento ou controlo é muito maior. O meu caso: Em 29 de Outubro de 2007 foram-me diagnosticadas umas Anginas e receitados medicamentos, que tomei e curei-me. Em 18 de Novembro de 2007 foi-me diagnosticado uma Faringite e receitados medicamentos, que tomei e curei-me. No entanto, nunca me tinha acontecido ter duas infecções no mesmo ano e seguidas, pelo que de imediato solicitei análises de rotina, que fiz em 3 de Dezembro de 2007. Os resultados, em 11 de Dezembro de 2007, indicaram que eu teria um Mieloma Múltiplo. Quando em 12 de Dezembro de 2007, fui à consulta e me foi explicado que tipo de tratamento teria que fazer, quais os possíveis efeitos secundários da Quimioterapia e da própria doença, avaliei da seguinte forma os que mais me preocuparam: - muito cansaço e falta de mobilidade – moro num 4º andar com elevador, se o elevador avariar o meu filho mora num rés do chão; para o caso de estar acamado e ter de ser ajudado a ir à casa de banho e tomar banho, comprei um banco rebatível para a banheira e apoio (ajudas técnicas) que instalei na banheira; conheci uma técnica de apoio a pessoas acamadas e doentes, contei-lhe a minha história e solicitei-lhe apoio se necessitasse; - queda de cabelo – antes de iniciar a Quimioterapia rapei o cabelo com máquina, para que, na eventualidade de ele começar a cair, o choque visual para mim, familiares e amigos não fosse tão grande; - Telefone – “sempre a tocar, como está hoje o Carlos?” – para resolver este problema, e diminuir o número de chamadas, criei uma mensagem no PC e envio regularmente para todos os meus contactos a informação de como me sinto e do telemóvel faço o mesmo. Depois de vários exames, incluindo Mielograma e Biopsia Óssea, e consultas, foi-me proposto um tratamento de Quimioterapia de um protocolo de Investigação que aceitámos e assinámos (eu e a minha mulher). Em 29 de Janeiro de 2008 iniciei um tratamento de quimioterapia de 4 ciclos com 21 dias cada (cerca de 3 meses). Fui de novo reavaliado, tendo os Plasmócitos Patológicos baixado de 60% para 0,29%. Nesta fase fui proposto para Autotransplante. Depois de vários exames e introdução de cateter fui internado em 19 de Maio de 2008. Levei Quimioterapia, seguidamente fiz o Autotransplante tendo sido a partir do 5º dia de internamento a pior fase de todo este processo (enjoos, vómitos, diarreias, mal estar geral, etc.). Ao 16º dia de internamento tive alta, e a partir daí foi sempre a melhorar. As análises e Mielograma de 27 de Outubro de 2008, indicam 0% de plasmácitos da doença, a doença está controlada, até amanhã ou até daqui a trinta anos. Vamos gozar o intervalo e se houver uma recidiva, não lhe vamos dar tréguas, de novo. Para que possam ter uma noção do que está envolvido num tratamento desta natureza e na disponibilidade que o doente deve ter para se tratar com a esperança de controlar a doença do dia 12 de Dezembro de 2007 até hoje, 21 de Maio de 2009, fui a mais de 180 consultas, análises e exames. Aos excepcionais profissionais que me estão a tratar agradeço a minha boa disposição e forma positiva como estou a encarar todo o processo. Tendo regressado ao trabalho desde 13 de Março de 2009 até que em 11 de Dezembro de 2009 me foi diagnosticado um Plasmocitoma uma recidiva do Mieloma Múltiplo continuando o primeiro controlado. Comecei a fazer quimioterapia no dia 12 de Dezembro de 2009 e entrei imediatamente de baixa, sendo previsível que se tudo correr dentro do normal a doença esteja controlada dentro de 2 anos (aproximadamente 730 dias). A equipa que me vai tratar é a mesma excepcional que me tratou da primeira vez, pelo que se é possível eu vou ficar bem. Neste momento estou a fazer ciclos de Quimioterapia de 42 dias cada, parte em internamento (sou internado e levo 4 dias de quimioterapia seguidos), parte em Ambulatório (vou ao IPO levo a Quimioterapia e vou para casa) e parte em casa. Se houver alguma coisa não previsto sou internado e tratado. Depois está previsto fazer de novo Autotransplante e depois Alotransplante se houver dador compatível. A história ainda não acabou, quando houver mais desenvolvimentos eu vou actualizando. Carlos Oliveira
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25 de Janeiro de 2010 Diagnóstico numa idade precoceQuando tinha apenas 8 anos de idade, detectaram-me um linfoma, fui encaminhada ao IPO do Porto e o diagnóstico não era o melhor. Disseram aos meus pais que iria iniciar o primeiro ciclo de tratamento (quimioterapia e radioterapia), mas com poucas esperanças de que eu pudesse aguentar e de que me pudesse salvar. Passou o primeiro ciclo, o segundo e o terceiro, e Graças a Deus tudo correu melhor do que seria de esperar. Hoje tenho 28 anos, sou Licenciada em Engª do Ambiente, tenho uma Pós-Graduação e vou iniciar o Mestrado. Isto tudo para dizer, que ter um linfoma nao é o fim do mundo e que por muito mau que seja o diagnóstico, com muita Fé e com muita força de vontade, tudo se pode ultrapassar, para ter uma vida digna e "normal". Espero que o meu testemunho possa ajudar muita gente. Estarei sempre disponivel para dar o meu testemunho e o meu apoio. Fátima Ferreira 14 Outubro 2008
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