“Necessidades e Qualidade de Vida em Doentes com Mieloma Múltiplo e seus Cuidadores”

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O trabalho “Necessidades e Qualidade de Vida em Doentes com Mieloma Múltiplo e seus Cuidadores”, coordenado por Maria da Graça Pereira Alves e desenvolvido por uma equipa de psicólogos clínicos e da saúde (Gabriela Ferreira, Marta Pereira, e Rosário Bacalhau do Centro de Investigação em Psicologia da Escola de Psicologia da Universidade do Minho e Sara Monteiro do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro) já tem resultados preliminares.

Salienta-se que este é o primeiro estudo português sobre o impacto das variáveis psicossociais na qualidade de vida dos doentes e cuidadores com Mieloma Múltiplo (MM), que contou com o patrocínio do laboratório Celgene. Foram avaliados 70 pacientes com MM que se encontravam a receber tratamento em três hospitais públicos da zona Norte do País: Hospital de Braga, Centro Hospitalar do Porto e Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Estes pacientes apresentam uma média de idade de 68 anos (DP = 10.4), são maioritariamente do sexo feminino, casados, com o ensino básico de escolaridade e reformados. O diagnóstico de MM tinha sido efetuado, em média, há 68 meses (5.7 anos). O estudo incluiu também 50 cuidadores dos quais 70% eram do sexo feminino. A média de idades foi de 54.65 (DP = 14.71), tendo a maioria frequentado o ensino básico de escolaridade; 42% encontravam-se empregados, e os restantes desempregados ou reformados.

Os resultados mostram que pacientes mais velhos reportam mais necessidades não satisfeitas relativas à saúde emocional. Por sua vez, os pacientes que foram diagnosticados há mais tempo relatam mais necessidades não satisfeitas informativas, de preocupações financeiras, de acesso ao tratamento médico e de saúde emocional. Necessidades não satisfeitas relativamente à saúde emocional associaram-se a pior qualidade de vida em todos os domínios (sintomas da doença, efeitos secundários, imagem corporal e perspetiva de futuro) e as necessidades não satisfeitas acerca do acesso ao tratamento médico associaram-se a pior qualidade de vida relativa à perspetiva de futuro.

Finalmente, as necessidades não satisfeitas relativas às preocupações financeiras associaram-se a maior perceção de sintomas da doença e necessidades não satisfeitas relativas à saúde emocional associaram-se a pior imagem corporal, ao nível da qualidade de vida. No que diz respeito aos cuidadores, os resultados indicaram que idade avançada do doente e ser cuidador do sexo feminino se associou a melhor qualidade de vida dos cuidadores. Cuidadores que cuidam pela primeira vez apresentam maiores necessidades de informação e necessidades emocionais do que os outros.

Cuidadores que não decidiram intencionalmente cuidar do doente apresentaram maiores necessidades de informação, financeiras, de acesso aos cuidados médicos e necessidades emocionais. Cuidadores com necessidades emocionais não satisfeitas, maior sobrecarga e maior morbilidade psicológica apresentam pior qualidade de vida.

A idade do doente foi moderadora da relação entre as necessidades emocionais não satisfeitas e a qualidade de vida do cuidador. Especificamente quando a idade dos doentes é mais avançada, existe uma relação negativa entre as necessidades emocionais não atendidas e a QV do cuidador. Em suma, os resultados destacam o importante papel desempenhado pelas necessidades não satisfeitas.

Assim, as intervenções para promover a qualidade de vida destes pacientes deverão focar-se principalmente nas necessidades não satisfeitas relativas à saúde emocional, nomeadamente em pacientes mais velhos, que foram diagnosticados há mais tempo e que reportam mais sintomas da doença.

Ao nível dos cuidadores, a intervenção deve focar-se nas necessidades não satisfeitas, particularmente nos cuidadores que desempenham o papel pela primeira vez e aqueles que não escolheram cuidar do doente e ser dirigida para a diminuição da morbilidade psicológica e sobrecarga no sentido de promover a qualidade de vida.

“ Juntos por um futuro com qualidade de vida!

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