O que são Doenças Malignas do Sangue

As doenças malignas do sangue podem afetar qualquer pessoa em qualquer momento e os sintomas são vagos, não específicos e, muitas vezes, confundidos com outras doenças.

As doenças mais comuns são a leucemia, linfoma (linfoma não-Hodgkin e linfoma de Hodgkin) e mieloma. Estas doenças envolvem anomalias nas células do sangue, do sistema linfático (que inclui os gânglios linfáticos) e / ou da medula óssea, onde as células sanguíneas se desenvolvem. Elas resultam de transformações anómalas durante as sucessivas replicações a partir da célula hematopoiética.

Representam aproximadamente, cerca de 10% e 8% de todos os tipos de cancro, no homem e na mulher, respetivamente.

 

  • Os linfomas são um grupo de doenças malignas do sangue, caraterizadas por uma proliferação anormal de linfócitos geralmente nos gânglios linfáticos ou na medula óssea mas as células malignas são também capazes de invadir os restantes tecidos. Os linfomas podem ser divididos em linfoma não-Hodgkin e linfoma de Hodgkin.

 

  • O linfoma não Hodgkin apesar de afetar sobretudo pessoas de idade mais avançada, pode surgir em qualquer idade, sendo a maior frequência no sexo masculino. Este tipo de linfomas representa cerca de 20% de todas as doenças onco-hematológicas na Europa. Em Portugal, são diagnosticadas, anualmente, cerca de 1700 pessoas com linfoma não-Hodgkin.

 

  • O linfoma de Hodgkin caracteriza-se pela existência das células de Reed-Sternberg. Trata-se de uma doença rara representando cerca de 3% de todas as doenças onco-hematológicas, no entanto, é importante porque atinge não só pessoas idosas mas também adolescentes e adultos jovens. As suas causas são mal conhecidas mas existem estudos que demonstram uma associação à infeção pelo vírus Epstein-Barr.

 

  • A leucemia é uma doença caracterizada pela proliferação de células imaturas (leucemias agudas) ou pela acumulação de células maduras mas malignas e mal funcionantes (leucemias crónicas), na medula óssea e no sangue e que dificulta a produção e a função das células sanguíneas normais. Existem diferentes tipos de leucemias, dependendo das células atingidas e da sua agressividade. Entre os tipos mais frequentes, em adultos, encontram-se as leucemias crónicas: a leucemia linfoide crónica e a leucemia mielóide crónica.

 

  • A leucemia linfoide crónica resulta da proliferação de linfócitos. Estas células, do sistema do sistema Imunológico e linfático, são as principais responsáveis pela defesa do organismo. Este tipo de leucemia é mais frequente em adultos e representa cerca de 10% de todas as doenças hematológicas na Europa.

 

  • Na leucemia mieloide crónica o tipo celular afetado é linha mielóide. Trata-se, provavelmente, a doença maligna humana mais estudada. A descoberta em 1960 do cromossoma de Filadélfia (Ph), que resulta de uma translocação recíproca entre os cromossomas 9 e 22, foi a primeira anomalia cromossômica associado com um tipo específico de leucemia e de cancro em geral. Este tipo de doença, tal como o anterior, representa cerca de 10% de todas as doenças oncológicas do sangue na Europa e afeta principalmente indivíduos com idade superior a 65 anos.

 

  • O Mieloma Múltiplo é uma doença maligna de células linfóides diferenciadas, produtoras de anticorpos, chamadas plasmócitos. Localizam-se preferencialmente na medula óssea provocando, frequentemente, lesões ósseas. O mieloma representa cerca de 1% de todos os tipos de cancro e cerca de 10% das doenças hematológicas. É mais frequente em indivíduos do sexo masculino com maior incidência entre os 60 e os 65 anos.

 

O tratamento das doenças malignas do sangue deve ser decidido em equipa multidisciplinar e vai depender do estado geral do doente, do tipo de doença e do estádio ou grau de evolução da doença.

As armas atualmente disponíveis incluem a Quimioterapia citotóxica, a Imunoterapia a Radioterapia e raramente a Cirurgia. Esta última é útil para se chegar ao diagnóstico através da biópsia, isto é, a obtenção de um fragmento tumoral para análise histológica.

Para que o tratamento seja bem sucedido é necessária a colaboração do doente e da família. As dúvidas relativamente à doença ou aos tratamentos devem ser esclarecidas com o médico do doente.

 

Prof. Dr. Herlânder Marques – Médico Oncologista e Fundador da APLL

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